Boiadeiros

Os boiadeiros são espíritos hiperativos e brincalhões que atuam como refreadores do baixo-astral, aguerridos demandadores e rigorosos com os espíritos trevosos. Eles atuam nas sete linhas da Umbanda.


Muitos espíritos que hoje se manifestam como caboclos boiadeiros já trabalharam sob a irradiação do mistério Exu, que é mais um dos graus evolutivos da Umbanda.

Mas, muitos boiadeiros nunca foram Exus e atuam nas linhas cósmicas dos sagrados orixás, regidos por Pai Ogum e Mãe Logunã. O laço e o chicote são suas armas espirituais, são mistérios, usados como refreadores das investidas das hostes sóbrias de espíritos do baixo-astral.

Para algumas correntes de pensamento umbandista, esses espíritos já foram Exus e, numa transição dos seus graus evolutivos, hoje se manifestam como caboclos boiadeiros.

…Essa é a interpretação mais aceitável, pois muitos desse espíritos que hoje se manifestam nesta linha de trabalhos espirituais realmente já trabalharam sob a irradiação do mistério Exu,que os acolheu e direcionou, pois na Umbanda Sagrada Exu é mais um dos seus graus evolutivos.

…Mas muitos desses caboclos boiadeiros nunca foram Exus e sim, atuam nas linhas cósmicas dos sagrados orixás e são regidos por Ogum e por Logunã e seus campos de ação são os caminhos (Ogum) e o tempo ou as Campinas (Logunã).

…São espíritos hiper-ativos que atuam como refreadores do baixo-astral e são aguerridos, demandadores e rigorosos quando tratam com espíritos trevosos.

…O símbolo dos boiadeiros é o laço e o chicote, que são suas armas espirituais e são 
verdadeiros mistérios, tal como são as espadas, as flechas e outras “armas” usadas pelos espíritos que atuam como refreadores das investidas das hostes sombrias formadas por espíritos do baixo-astral.

…É uma linha muito poderosa e muito numerosa no mundo espiritual e seus caboclos atuam nas sete linhas de Umbanda.

…Os Orixás que regem o mistério boiadeiros são Ogum e Logunã.

...Eles são descritos como Caboclos da Lei que atuam no tempo ou Caboclos do Tempo que atuam na irradiação da lei.

Os Boiadeiros fazem parte de um dos “Povos de Umbanda” que se apresentam nos terreiros. É uma linha de trabalho tão importante quanto caboclos, pretos-velhos, baianos, ciganos, marinheiros, etc.

…Constituem uma linha intermediária e uma homenagem ao povo sofrido que vivem nos campos. Muitas entidades em sua fase de evolução, transitando das linhas de trabalho da esquerda para a direita, encontram na forma de atuação como boiadeiros um ótimo recurso para fazerem essa transição. Podemos assim dizer que alguns boiadeiros já estiveram atuando como exús no passado.

…É uma linha muito amparada pelos Orixás Yansã e Logunã-Tempo, pois, na sua forma de apresentação os boiadeiros costumam com seus laços criar verdadeiras espirais nas quais “laçam” eguns e quiumbas paralisados em seus negativos e que perturbam a paz dos encarnados.

…Os boiadeiros em geral são alegres e costumam com seus brados de “ô boi” trazerem a descontração e fazem poderosos descarregos enquanto dançam.

…A saudação aos boiadeiros é “marranbá che tuá”, ou simplesmente “salve os boiadeiros”.

…Por ser uma linha diversa, muitos praticantes não obtém o conhecimento de seus trabalhos e procedimentos pautados no bom senso, conta-se que em alguns terreiros menos esclarecidos alguns médiuns na manifestação desta linha “incorporam” o “boi”, outros o “boiadeiro” e então o terreiro torna-se um verdadeiro “rodeio” com os médiuns laçando-se uns aos outros numa verdadeira pantomima!!!

…O importante é que em todas as práticas mediúnicas nos pautemos pela ética, onde as entidades manifestantes como Guias Espirituais sempre vem para trabalhar prestando a 
caridade e os médiuns sempre devem poder se responsabilizar por todo o trabalho que suas entidades realizam em terra.

…Os Boiadeiros respondem à todo terreiro que traz uma doutrina voltada para a prática do amor e da caridade com humildade e devoção, e o que existir de ruim por aí, boiadeiro aparecerá apenas para laçar e levar embora…

….Salve todos os Boiadeiros!
Jetuá, boiadeiros!


Oferenda:
Toalha ou um pano (branco, vermelho, amarelo, azul escuro, marrom)
Velas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Fitas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Linhas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Pembas (branca, vermelha, amarela, azul escuro, marrom)
Frutas (todas)
Bebidas (vinho seco, aguardente, batidas, conhaque, licores)
Flores (do campo, palmas, cravos)
Comidas (feijoada, charque bem cozido, bolos)

Fonte: Texto de Rubens Saraceni