Baianos

“…Se um espírito missionário iniciou a corrente dos “baianos”, é porque na Terra ele havia sido um Babalorixá baiano e continuou a sê-lo no plano espiritual.


Ele havia sido um baiano cultuador dos orixás e continuou a sua missão em espírito, iniciando um dos mistérios da região umbandista, pois só um mistério agrega sob sua égide e sua irradiação tantos espíritos, com muitos deles só plasmando uma vestimenta baiana e adotando um modo de comunicação peculiar…

São espíritos alegres, brincalhões, descontraídos… são muitos conselheiros, orientadores, aguerridos e chegados à macumba (dança ritual), durante a qual trabalham, enquanto giram com seus passos próprios.”

…Os fundadores da Umbanda são caboclo e preto-velho, que no astral fizeram escola, com o tempo se assentaram ao seu lado outros povos de trabalho, vemos hoje muito bem assentados dentro do contexto Umbandista as figuras do boiadeiro, marinheiro, baiano e cigano além das crianças, exú e pomba-gira.

… Todos são excelentes trabalhadores e cada “grupo de trabalho” tem a sua maneira de atuar, no astral a linha de trabalho (povo a que pertence) e o nome que eles carregam representa respectivamente o grau e a força em que a entidade guia está assentada.

No caso os Baianos formam uma corrente de entidades que ao desencarnar, apesar da afinidade com o culto ao Orixá (muitos foram sacerdotes), não tinham o grau de preto-velho, estabeleceram uma egrégora de trabalhadores do astral que com o tempo reconhecida pela Umbanda passaram a ter a oportunidade do trabalho ativo e incorporante, acharam por bem batizar como linha dos Baianos como homenagem a origem dos primeiros formadores desta corrente e a Terra que tão bem acolheu o Orixá no Brasil.

… São muito ativos, despachados e descontraídos. Bons orientadores e doutrinadores, tem facilidade em lidar com o desmanche dos trabalhos de kimbanda e magia negra. Usam colares de cocos e sementes. Tendo na sua forma de trabalhar muito das qualidades de Iansã, por serem movimentadores e irrequietos, combinam esta forma de trabalhar com sua natureza onde cada um se mostra regido por um Orixá diferente assim trazendo para a gira a força das sete linhas da Umbanda.

…Suas oferendas podem ser feitas ao pé de um coqueiro ou no ponto de força do Orixá que rege o baiano a ser oferendado. Gostam de festas e comidas típicas da Bahia e batida de coco.

…Como comprimento dizemos simplesmente: “É da Bahia meu Pai… Salve a Bahia” ou simplesmente “Salve os baianos”.

Oferenda:
Toalha ou pão branco (ou amarelo)
Velas brancas e amarelas
Fitas brancas e amarelas
Linhas brancas e amarelas
Pembas brancas e amarelas
Frutas (coco, caqui, abacaxi, uva, pêra, laranja, manga, mamão)
Bebidas (batida de coco, de amendoim, pinga misturada com água de coco)
Flores (flor do campo, cravo, palmas)
Comidas (acarajé, bolo de milho, farofa, carne seca cozida e com cebola fatiada, quindim)

Fontes:
SARACENI, Rubens / VIEIRA Lurdes de Campos - Manual doutrinário, ritualístico e comportamental umbandista, São Paulo, Ed. Madras, 2006 pg. 199
SARACENI Rubens, Rituais umbandistas: oferendas, firmezas e assentamentos, São Paulo, Ed. Madras, 2007 pg. 74 - 75
Jus – Jornal De Umbanda Sagrada